OS PENSAMENTOS E SUA INFLUÊNCIA – A Mãe do Sri Aurobindo Ashram
Se você
refletir sobre o incalculável número de pensamentos emitidos a cada dia no
mundo, verá surgindo perante sua imaginação uma cena terrível, agitada e
complexa na qual todas essas formações se entrecruzam e colidem, batalham entre
si, sucumbem e triunfam num movimento vibratório que é tão rápido que
dificilmente podemos imaginá-lo.
Agora
você pode perceber como pode ser a atmosfera mental de uma cidade como Paris,
onde milhões de indivíduos estão pensando – e que pensamentos! Você pode
imaginar essa fervilhante e instável massa, esse emaranhamento inextricável.
Apesar de todas as tendências, vontades e opiniões contraditórias, um tipo de
unidade existe entre estas vibrações, pois todas elas, com poucas exceções,
expressam desejo, desejo em todas as suas formas, todos os seus aspectos, em
todos os planos.
Todos os
pensamentos de pessoas de mente mundana, cujo único objetivo é o gozo e
diversão do corpo, expressam desejo. Todos os pensamentos de criadores intelectuais
ou artistas sedentos por fama, consideração e honra, expressam desejo.
Todos os
pensamentos de milhares de empregados e trabalhadores, de todos os oprimidos,
os desafortunados, que lutam por alguma melhora em sua existência, expressam
desejo.
Todos,
ricos e pobres, poderosos e fracos, privilegiados e oprimidos, intelectuais e
obtusos, todos querem riqueza, sempre mais riqueza para satisfazer todos os
seus desejos.
Se em
algum lugar ocasionalmente brilha um pensamento puro e desinteressado, da vontade
de fazer o bem, de uma busca sincera pela verdade, ele é rapidamente engolido
por essa inundação que rola como um mar de lodo.

No futuro os pensamentos luminosos iluminarão a noite desse planeta, mas no momento estamos vivendo nessa escuridão, pois tanto no domínio físico quanto no mental, nos encontramos num estado de contínuas trocas com o meio ambiente. Isso é para mostrar a você como somos contaminados a cada dia, a cada minuto.
Existem
duas vitórias possíveis para serem alcançadas, uma coletiva e outra individual.
A primeiro é, digamos, positiva e ativa, e a segunda negativa e passiva. Para
se ganhar a vitória positiva é necessário declarar uma guerra aberta de ideia
contra ideia, para que os pensamentos que são desinteressados, elevados e nobres
batalhem contra aqueles que são egoístas, básicos e vulgares.
Essa é
uma luta corpo a corpo, uma batalha de cada minuto que demanda considerável
poder e clareza mentais. Para lutar contra pensamentos é necessário, em
primeiro lugar, recebê-los, admiti-los dentro de si mesmo, deliberadamente
permitir-se ser contaminado, absorver a doença contida neles para melhor
destruir o germe mortífero ao curar a si mesmo.
É uma
verdadeira guerra na qual a pessoa corre o perigo de perder seu equilíbrio
mental a cada minuto – e uma guerra exige guerreiros. Não recomendo essa
prática a ninguém. Ela pertence por direito aos iniciados que se prepararam
para ela durante longa e rigorosa disciplina, e assim devemos deixar essa luta
para eles.
De nossa
parte, devemos nos contentar em nos purificar para estarmos livres de toda
infecção. Devemos aspirar a uma vitória individual, e se vencermos
descobriremos que fizemos mais pela coletividade do que suspeitamos no início.
Acendamos dentro de nós mesmos o fogo das antigas vestais, o fogo que simboliza
a inteligência divina, que é nosso dever manifestar. É um trabalho que não pode
ser conseguido num dia, num mês ou num ano, é um trabalho que exige
perseverança.
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