O PODER DAS PALAVRAS – A Mãe
Parece
desnecessário fixar nossa atenção na quantidade de palavras inúteis que são
pronunciadas a cada dia; este mal é bem conhecido de todos, embora poucas
pessoas pensem em saná-lo.
Mas há
muitas outras palavras que são faladas sem necessidade. Isto é, durante o dia
sempre temos a oportunidade de expressar um desejo de coisas boas, desde que
coloquemos o pensamento apropriado atrás das palavras. Mas sempre perdemos esta
oportunidade de criar essa atmosfera mental benéfica ao redor das pessoas que
conhecemos e assim verdadeiramente ajuda-las. Seria muito útil consertar esse
descuido.
Para
fazermos isto, devemos nos recusar a permitir nossas mentes a permanecerem no
estado de imprecisão vaga e passiva, que é um estado constante na maioria das
pessoas.
Para nos
curarmos progressivamente dessa sonolência, podemos, ao pronunciar uma palavra,
forçar-nos a refletir sobre seu exato significado a fim de torna-la plenamente
efetiva.
A esse
respeito, podemos dizer que o poder ativo das palavras vem de três causas
diferentes. As primeiras duas estão na própria palavra, que se tornou uma
bateria de forças. A terceira está no fato de viver integralmente o pensamento
profundo expresso pela palavra quando a pronunciamos.
Se estas
três causas se combinam, o poder da palavra é consideravelmente aumentado.
1) Existem
certas palavras cuja ressonância no mundo físico é a perfeita materialização
vibratória do modo sutil de vibração produzido pelo pensamento em seu próprio
domínio.
2) Existem
outras palavras que têm sido repetidas em certas circunstâncias por centenas de
anos e que estão impregnadas das forças mentais de todos aqueles que as
pronunciaram. Essas são verdadeiras baterias de energia.
3) Finalmente,
existem palavras que assumem um valor imediato quando são pronunciadas, como
resultado do pensamento vivo da pessoa que as pronuncia.
Para
ilustrar o que eu disse com um exemplo, aqui está uma palavra muito poderosa
que pode combinar as qualidades de todas as três categorias: a palavra
sânscrita AUM.
Ela é
usada na Índia para expressar a imanência divina. Ali ela é associada com cada
meditação, cada contemplação, cada prática yogue. Mais que qualquer outro som,
este som “AUM” faz nascer um sentimento de paz, de serenidade, de eternidade.
Além
disso, esta palavra está impregnada com as forças mentais que por séculos todos
aqueles que a usaram acumularam ao redor da ideia que ela expressa. E
especialmente para os hindus, ela tem o verdadeiro poder de colocar a pessoa em
contato com a essência que ela evoca.
E como os
orientais têm uma mente religiosa e o hábito da concentração, poucos pronunciam
esta palavra sem colocar nela a convicção de que ela é necessária para tornar
sua meditação plenamente efetiva.
Na China,
um efeito similar é obtido com uma palavra de idêntico significado e um som de
certa forma similar, a palavra “TAO”.
Nossas
línguas ocidentais são menos expressivas; em sua presente forma, estão longe da
língua raiz que lhes deu nascimento. Mas sempre podemos animar uma palavra pelo
poder de nosso pensamento vivo e ativo.
Além
disso, existem fórmulas que podem ser vantajosamente adicionadas às palavras de
uso comum. Essas fórmulas eram usadas em certas escolas antigas de iniciação.
Serviam como cumprimentos, e na boca de alguém que sabia como pensa-las, tinham
um poder muito especial de ação.
Os
discípulos, os neófitos que davam seus primeiros passos no caminho, eram
cumprimentados assim: “Que a paz do equilíbrio esteja convosco.”
Todos
aqueles que por seu constante e progressivo atitude interior demonstraram sua
boa vontade profunda e duradoura, eram cumprimentados assim: “Que o mais
elevado bem seja vosso.”
E com
certos instrutores que manifestavam especialmente forças elevadas, estas
palavras tinham o poder de transmitir verdadeiras dádivas, como por exemplo o
dom de curar.

Comentários
Postar um comentário